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Por que Flávio Bolsonaro escondeu encontro com Eduardo Cunha

Pré-candidato se reuniu em Belo Horizonte com o ex-presidente da Câmara que comandou o impeachment de Dilma, foi saudado por Bolsonaro em voto a Ustra e acabou cassado por mentir à CPI da Petrobras.

Por Redação

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Flavio Bolsonaro e Eduardo Cunha
Reprodução/X

De acordo com a Revista Fórum, em reportagem assinada por Diego Feijó de Abreu, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve em Belo Horizonte nesta terça-feira (2) para um encontro com Eduardo Cunha (Republicanos-MG). Contudo, a reunião não ganhou qualquer destaque nas redes sociais do parlamentar, sendo exposta apenas pelo próprio Cunha.

Por que Flávio Bolsonaro escondeu encontro com Eduardo Cunha nas redes

Pré-candidato do PL se reuniu em Belo Horizonte com o ex-presidente da Câmara que comandou o impeachment de Dilma, foi saudado por Bolsonaro em voto a Ustra e acabou cassado por mentir à CPI da Petrobras.

De acordo com a Revista Fórum, em reportagem assinada por Diego Feijó de Abreu, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve em Belo Horizonte nesta terça-feira (2) para um encontro com Eduardo Cunha (Republicanos-MG). Contudo, a reunião não ganhou qualquer destaque nas redes sociais do parlamentar, sendo exposta apenas pelo próprio Cunha.

A discrição nas redes de Flávio escancara um dilema estratégico: embora o ex-presidente da Câmara e histórico operador do Centrão seja uma peça útil para a montagem de um palanque para 2026, ele continua sendo um passivo de imagem severo para ser exibido em público.

O Contexto da Visita a Minas Gerais

O encontro ocorreu na Rádio 89 Maravilha, emissora ligada a Cunha e com forte entrada no público evangélico. A agenda fez parte da tentativa de Flávio Bolsonaro de construir "musculatura" política em Minas Gerais, visando se apresentar como o herdeiro natural do bolsonarismo para a sucessão presidencial.

A passagem do senador pelo estado, no entanto, já acumulava desgastes dentro do próprio campo da direita. Entre as polêmicas recentes, Flávio e o governador Romeu Zema enfrentaram revolta nas redes após um gesto mal recebido pelo público. Além disso, a visita ocorreu em meio a um forte climão político, pouco após o episódio em que o deputado Nikolas Ferreira reagiu com caretas enquanto Flávio tentava se explicar publicamente.

O Valor Político de Cunha e o Preço da Foto

A aproximação entre Flávio e Cunha não é obra do acaso. A aliança mistura pragmatismo e contradição. Para Flávio, o apoio é estratégico porque Cunha possui amplo trânsito nas alas do Centrão e um conhecimento profundo dos atalhos da máquina partidária. O ex-deputado também preserva um forte diálogo com o setor evangélico e mantém as relações criadas na época em que comandou a Câmara.

Por outro lado, o motivo para a foto ter sido escondida é evidente: Eduardo Cunha é o símbolo máximo da "velha política" fisiológica que Jair Bolsonaro, em seu discurso de eleição, prometeu combater. O desgaste público de Cunha é imenso, visto que ele foi cassado por 450 votos a 10 em 2016 por quebra de decoro parlamentar, após ficar provado que mentiu à CPI da Petrobras sobre possuir contas no exterior. O ex-presidente da Câmara também acumulou processos ligados à Operação Lava Jato, incluindo graves acusações de propina em obras como a do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.

O Elo Histórico do Impeachment

Apesar da blindagem atual nas redes, a história do clã Bolsonaro está diretamente ligada à ascensão e queda de Cunha. Como presidente da Câmara, Cunha abriu o processo de impeachment contra Dilma Rousseff, reorganizando o cenário nacional e oferecendo o palco que alavancaria o bolsonarismo.

Na votação do impeachment, em 17 de abril de 2016, Jair Bolsonaro fez questão de exaltar o então presidente da Casa antes de dedicar seu voto ao Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador reconhecido pela Justiça:

"Neste dia de glória para o povo brasileiro, um nome entrará para a história nesta data pela forma como conduziu os trabalhos desta Casa: Parabéns, Presidente Eduardo Cunha!", celebrou Jair Bolsonaro na ocasião.

Pouco tempo depois daquela sessão, Cunha seria afastado do mandato pelo STF e, em seguida, cassado pelo plenário.

Discurso vs. Prática

A omissão deste encontro nas redes sociais revela a discrepância entre a narrativa e a prática do senador. Para o público externo, Flávio tenta se projetar como uma alternativa renovada e herdeiro eleitoral viável para 2026. Nos bastidores, a articulação depende de figuras emblemáticas da velha política.

Esse desafio de sustentar uma narrativa ilibada tem se mostrado frequente. Recentemente, Flávio foi confrontado por adversários políticos, como Marcelo Freixo, que resgatou o passado do senador no Rio de Janeiro, levantando suspeitas de antigos elos com as milícias, além de suas relações com figuras polêmicas como Domingos Brazão.

O retorno de Eduardo Cunha ao convívio político da família Bolsonaro serve como um lembrete das bases reais do movimento, sustentado no apoio dos operadores do Centrão e na radicalização aberta em 2016. Flávio pode tentar esconder a foto, mas a aliança estrutural que ela representa já é de longa data.de tentar esconder a foto, mas a aliança estrutural que ela representa já é de longa data.

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