A faculdade de Formosa que mira o topo: reconhecimento internacional, plano de melhoria e fortalecimento do Entorno
Com a acreditação Premier conquistada em 2026 e ações para elevar seus indicadores no MEC, o Centro de Ensino Inovação Gestor da FUG, reforça sua qualidade e amplia seu impacto educacional da região.

Em uma cidade que cresceu à sombra de Brasília, ter uma faculdade que busca padrões internacionais de qualidade não é detalhe. É política pública feita pela iniciativa privada. É esse o movimento que a Faculdade União de Goyazes de Formosa, operada pelo Centro de Ensino e Inovação, tem sinalizado nos últimos anos, com ações que vão desde a obtenção de uma acreditação internacional até a reestruturação de seus processos acadêmicos para reconquistar posições no sistema de avaliação do Ministério da Educação.
Acreditação internacional o que é e por que importa? “Em janeiro de 2026, a FUG Formosa recebeu a acreditação Premier nº 016/2024–2028 concedida pela MACCA, organismo internacional especializado em avaliação e acreditação de instituições de ensino superior. O processo não foi simples: incluiu visita in loco virtual, análise documental aprofundada, avaliação dos programas acadêmicos em funcionamento e entrevistas com gestores, coordenadores e docentes”. Pautou o diretor da IES Adimar Caldas.
A conclusão do organismo foi de conformidade plena em todos os sete critérios avaliados: Governança e Gestão Institucional; Qualidade Acadêmica e Curricular; Recursos Humanos; Infraestrutura e Recursos Tecnológicos; Pesquisa e Extensão; Finanças e Sustentabilidade; e Cumprimento Legal e Regulatório.
A acreditação internacional não substitui os indicadores do MEC nem tem valor regulatório no Brasil, mas seu peso simbólico e prático é considerável. Ela funciona como um espelho externo e independente: uma organização sem vínculos com a instituição avaliada atesta que os processos internos atendem a padrões reconhecidos internacionalmente. Para os alunos, é um sinal de que a formação que estão recebendo foi verificada por quem não tem interesse em aprovar o que não merece aprovação. Para o mercado de trabalho regional, é uma referência a mais na hora de valorizar um diploma de Formosa.
O que a FUG tem feito para chegar ao topo? Caldas demonstrou que: “A trajetória da FUG com o MEC tem momentos expressivos. Em 2018, a instituição figurou entre as 35 únicas IES do Brasil a atingir nota máxima no IGC, o Índice Geral de Cursos, principal termômetro de qualidade do sistema federal de avaliação. Naquele ciclo, o curso de Administração obteve IDD 5 (nota máxima no Indicador de Diferença entre Desempenhos Observado e Esperado), sinalizando que a faculdade agregava mais conhecimento ao aluno do que o esperado para o perfil de entrada, um resultado que fala de ensino de qualidade, não de triagem de alunos já qualificados”.
Adimar explicou que manter esse patamar ao longo do tempo exige esforço institucional contínuo. Os especialistas em regulação do ensino superior são consensuais quanto aos vetores que determinam a evolução dos indicadores MEC, e a FUG tem trabalhado em frentes que dialogam diretamente com eles.
Qualificação do corpo docente. O CPC, Conceito Preliminar de Curso, que compõe o IGC, pondera o percentual de professores com mestrado e doutorado e o regime de dedicação à instituição. Aumentar o número de doutores no quadro e migrar professores do regime horista para maior dedicação são apostas que impactam diretamente na nota.
Reestruturação acadêmica verificada externamente. O processo de acreditação MACCA, concluído em 2026, exigiu da FUG a apresentação de evidências sobre seu projeto pedagógico, sua governança e sua sustentabilidade financeira. Passar por esse crivo com conformidade plena indica que a casa está em ordem, o que tende a se refletir nas avaliações regulatórias do INEP.
Cultura de avaliação interna. IES que sobem de nota no MEC costumam ter em comum uma prática: preparam ativamente seus alunos para o ENADE, o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, componente de maior peso no CPC. Nivelamento, simulados, acompanhamento de egressos e engajamento dos professores no processo avaliativo são instrumentos que diferenciam faculdades que crescem das que estagnam.
O caminho de volta ao topo é longo e mensurável. O próximo ciclo avaliativo do ENADE que abrange os cursos da FUG de Administração, Ciências Contábeis e Direito, será o teste público de quanto esse conjunto de ações se converteu em resultado concreto.
Formosa no mapa do ensino superior do Entorno. Para entender por que tudo isso importa além dos muros da faculdade, é preciso olhar para o mapa. Formosa integra a Região Metropolitana do Entorno do Distrito Federal, a RIDE-DF, uma das regiões de maior crescimento demográfico do Centro-Oeste, com população estimada superior a 130 mil habitantes e dinâmica econômica crescente impulsionada pela proximidade com Brasília.
Apesar desse potencial, o Entorno carrega um paradoxo histórico: produz riqueza e mão de obra que abastece o DF, mas retém pouco do valor gerado. Um desses paradoxos é a formação profissional. Sem oferta local robusta de ensino superior presencial de qualidade, jovens de Formosa e municípios vizinhos precisam deslocar-se até Brasília, Goiânia ou Anápolis para cursar uma graduação, o que implica custos de transporte, aluguel e tempo que inviabilizam o acesso para grande parte das famílias de renda média e baixa.
Quando uma faculdade como a FUG aposta em acreditação internacional, reconstrói seu IGC e investe em qualificação docente, não está apenas cuidando de seu negócio. Está participando, ainda que de forma não declarada, de um projeto de desenvolvimento regional. Cada formando de Direito que abre um escritório em Formosa, cada contador que atende empresas locais, cada administrador que gere um serviço público municipal é um resultado concreto de uma IES que funciona bem.
