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O Cerradão — Jornalismo do Entorno do Distrito Federal

Moradores denunciam impactos de antigo lixão em Formosa e cobram solução definitiva para crise ambiental

Por Chico Abreu

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Moradores denunciam fumaça, possível contaminação da água e prejuízos à pecuária.
Imagens cedidas ao jornal O Cerradão

Moradores da região rural de Formosa voltaram a cobrar providências da Prefeitura diante dos impactos provocados pelo antigo lixão do município. As reclamações envolvem fumaça constante, suspeita de contaminação do lençol freático, proliferação de urubus e cães abandonados, além de prejuízos à atividade pecuária nas propriedades vizinhas. 

A discussão ganhou novo fôlego após uma reunião realizada na noite de terça-feira entre a prefeita Simone Ribeiro e moradores da região do Projeto de Assentamento Santa Cruz, onde há resistência à instalação de um novo aterro sanitário. 

Para os proprietários rurais que convivem há décadas com o lixão, a situação é resultado de sucessivas omissões do poder público. 

"Entra governo, sai governo e nada muda. O problema só aumenta e quem mora aqui continua sofrendo as consequências", afirmou o pecuarista Ariel Lobo, proprietário de uma fazenda localizada em frente à área utilizada para descarte de resíduos. 

Fumaça, mau cheiro e animais atraídos pelo lixo 

Segundo os relatos, um dos principais problemas é a fumaça proveniente da queima constante de resíduos. Moradores afirmam que, em determinados períodos do dia, a visibilidade fica comprometida e o odor se espalha por toda a região. 

Além disso, a presença histórica do lixão teria contribuído para o aumento da população de urubus e cães abandonados. 

De acordo com o pecuarista, os animais passaram a representar riscos para a produção rural. Ele relata que urubus atacam bezerros recém-nascidos e que matilhas de cães passaram a atacar o rebanho após serem atraídas pela oferta de alimento no local. 

Suspeita de contaminação da água 

Outra preocupação dos moradores envolve a possível contaminação ambiental causada pelo chorume produzido ao longo dos anos. 

Ariel afirma ter realizado análises em um poço artesiano da propriedade e que os resultados apontaram contaminação. Ele também relata o surgimento de minas d'água com aparência oleosa em áreas da fazenda, fenômeno que associa ao avanço do chorume proveniente do lixão. 

Os moradores defendem que sejam realizados estudos técnicos independentes para avaliar a extensão dos impactos ambientais e os riscos ao lençol freático da região. 

Processo no Ministério Público 

Inconformado com a situação, o produtor rural afirma ter protocolado uma representação junto ao Ministério Público no ano passado, questionando a regularidade da operação do lixão. 

Segundo ele, a área não possuiria licenciamento ambiental adequado para funcionamento. O caso teria avançado para análise do Poder Judiciário, mas os moradores afirmam não ter recebido atualizações recentes sobre o andamento do processo. 

Mudança na destinação do lixo 

Conforme relatos da comunidade, o lixo domiciliar da cidade deixou de ser encaminhado ao local há poucas semanas. A informação teria sido repassada pelo secretário municipal de Meio Ambiente. 

Atualmente, segundo os moradores, o antigo lixão continuaria recebendo entulhos, restos de poda e resíduos da construção civil. 

Os produtores também relatam que, durante períodos de chuva e dificuldades de acesso à área interna do lixão, resíduos chegaram a ser depositados às margens da GO-430, agravando os transtornos para quem vive na região. 

Impasse sobre novo aterro 

Enquanto moradores do entorno do antigo lixão cobram o encerramento definitivo das atividades e a recuperação ambiental da área, a proposta de implantação de um novo aterro sanitário na região de Santa Cruz enfrenta forte resistência de parte da comunidade local. 

Durante assembleia realizada nesta semana, moradores manifestaram preocupação com possíveis impactos ambientais e sociais do empreendimento. 

Nas redes sociais, páginas locais passaram a questionar a mudança de postura da prefeita Simone Ribeiro sobre o tema. A gestora, que em anos anteriores se posicionou contra a instalação do aterro na região, atualmente tem adotado uma postura de mediação entre os envolvidos. 

Publicações também levantaram questionamentos sobre possíveis articulações políticas relacionadas ao projeto, especialmente após a recente votação do parcelamento da dívida previdenciária do município. Até o momento, porém, não há provas ou investigações públicas que estabeleçam vínculo entre a tramitação do aterro sanitário e as discussões envolvendo os pedidos de impeachment apresentados contra a prefeita. 

Comunidade cobra solução definitiva 

Enquanto o debate sobre o novo aterro segue sem consenso, moradores afirmam que o município não pode repetir erros do passado. 

Para os produtores rurais que convivem há décadas com o antigo lixão, a prioridade deve ser o encerramento definitivo dos passivos ambientais existentes, a recuperação da área degradada e a adoção de uma solução tecnicamente adequada para a destinação dos resíduos urbanos de Formosa. 

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