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O Cerradão — Jornalismo do Entorno do Distrito Federal

Transporte do Entorno: Passagens acima de R$ 12 e ônibus precários agravam crise da mobilidade

Trabalhadores comprometem grande parte da renda com deslocamento enquanto enfrentam longas viagens e serviço de baixa qualidade

Por Chico Abreu

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Passageiros reclamam dos preços das passagens para o entorno do DF.
Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Para milhares de moradores das cidades do Entorno do Distrito Federal, ir e voltar do trabalho tem se tornado um desafio cada vez mais caro. Com tarifas que já ultrapassam R$ 12 em algumas linhas, cerca de 380 mil passageiros convivem diariamente com ônibus lotados, frota envelhecida e longas horas no trânsito. 

O impacto no orçamento é significativo. Em muitos casos, o gasto mensal com transporte supera R$ 500, comprometendo mais de 35% do salário mínimo. Para o economista Riezo Silva, o ideal seria que essa despesa não ultrapassasse 6% da renda, realidade muito distante da vivida pelos trabalhadores do Entorno. 

Os reajustes provocaram indignação entre os usuários. Em Valparaíso de Goiás, a técnica em enfermagem Ana Júlia Lima afirma que o aumento tornou a situação ainda mais difícil. "Eu já achava R$ 10 caro, e aumentar mais não é justo", disse. 

Além do preço elevado, passageiros denunciam veículos em más condições, atrasos constantes e superlotação. A secretária Sarah Santos, também moradora de Valparaíso, relata passar cerca de quatro horas por dia entre ônibus e congestionamentos. "Eu passo mais tempo no ônibus do que em casa", resume. 

Enquanto isso, os usuários das linhas interestaduais não contam com integração tarifária, ao contrário do sistema de transporte do Distrito Federal, onde a tarifa máxima é de R$ 5,50. 

O Governo do Distrito Federal afirma que os reajustes decorrem da falta de subsídios públicos ao transporte do Entorno e do aumento dos custos operacionais, como diesel, manutenção e mão de obra. Já o Governo de Goiás contesta os aumentos e defende maior participação nas decisões sobre o sistema. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sustenta que os reajustes seguem os contratos de concessão. 

A principal aposta para reduzir as tarifas é a criação do Consórcio Interfederativo do Entorno (CIRME), que prevê gestão compartilhada entre União, Distrito Federal e Goiás. A proposta inclui subsídios, integração tarifária e renovação da frota, com expectativa de reduzir o valor médio das passagens para cerca de R$ 8

Enquanto o projeto não é implementado, os moradores do Entorno continuam pagando uma das tarifas mais altas do país para utilizar um sistema que, na avaliação dos passageiros, está longe de oferecer um serviço compatível com o valor cobrado.

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